Depois
de dois concertos suspensos, a artista moçambicana voltou a sentir a emoção de
estar no palco no dia 27 de Junho. O musical com Gerard Mejías (Guitarra) e Laura Elena
López (Soprano convidada) foi no Casino de Sant Andreu de la Barca, em
Barcelona. Para a mezzo-soprano, o espectáculo que aconteceu num terraço, em
condições não ideais para um reportório clássico com guitarra, foi… “uma
sensação muito boa voltar ao palco, com público a desfrutar do momento. Foi uma
volta de uma maneira muito curiosa. Regressamos à expressão… O que são as artes
sem esse contacto com o público? O que significa dar um concerto se este
concerto não tem público? A energia do público é importante e foi muito
positiva no meu regresso ao palco”.
O concerto no Casino de Sant Andreu
de la Barca, até aqui, é o único de Mariana Carrilho neste contexto de
COVID-19. Também por isso especial numa carreira no estrangeiro que, afinal, é
exigente: “Muitas vezes parece um investimento sem retorno esta carreira fora
do meu país. É complicado. Não é um mar de rosas, não vou estar aqui a mentir.
Não é fácil, mas as experiências que vou acumulando com isso vão compensado, de
certa forma, esse investimento. Eu sei que vai haver esse retorno do
investimento que estou a fazer, porque confio no meu trabalho e nas
circunstancias que me vão ajudar, de alguma maneira. Além disso, eu tenho o
grande privilégio de contar com o apoio da minha família. Isso é que me dá
forças para continuar”.
Com a chegada da COVID-19 a
Espanha, Mariana Carrilho teve momentos difíceis a nível profissional e
financeiro. Dar aulas online foi o que a
suportou. Entretanto, a mezzo-soprano vê algumas vantagens na pandemia: “A
coisa positiva da pandemia foi a mudança de olhar sobre a comunidade, sobre a
união humana e sobre o abuso ao planeta”.
Antes da pandemia, Mariana
Carilho estava a trabalhar em três espectáculos, dos quais dois foram
suspensos. O primeiro era especial porque a cantora lírica passou por audições,
tendo sido seleccionada. O segundo era especial porque seria a primeira vez que
cantaria no Palau de la Música Catalana de Barcelona. “Para quem não conhece, é
uma das salas mais importantes para concertos de música clássica em Barcelona e
na Europa”. O concerto cancelado seria com a orquestra de guitarra de Barcelona
e a artista seria solista convidada.
Ultrapassadas as dúvidas
durante o confinamento, para a mezzo-soprano, hoje em dia, “seguir as artes e
cantar é um acto de fé e de verdade para comigo mesma”.
Mariana Carrilho é uma
Mezzo-soprano e artista visual moçambicana. Actualmente, forma parte do estúdio
de ópera da Ópera de Sarrià, Barcelona.
Na próxima temporada, Mariana
debutará como Mezzo-soprano convidada no Palau de la Música Catalana, cantando
El Amor Brujo e Sete Canções Populares Espanholas de Manuel de Falla com a
Orquestra de Guitarras de Barcelona. Esta temporada também lhe reserva o debut
no Teatro de Sarrià como parte do elenco da Ópera de Câmara de Barcelona
2020/2021.
Na temporada passada, depois de
terminar o seu mestrado com distinção, Mariana estreou profissionalmente como
Venus na opereta Orphée aux Enfers de Offenbach no Teatro Avenida em Maputo,
Moçambique, substituindo uma cantora que teve de abandonar a produção. Nesse
mesmo verão, estreou como Dorabella em Così Fan Tutte, de Mozart, no Festival
de Ópera de Villarreal, em Valência, Espanha como parte do estúdio de ópera
organizado pelo festival.
Mariana Carrilho tem sido
presença regular na Temporada de Música Clássica de Maputo, organizada pelo
grupo Xiquitsi e Associação Kulungwana, por quem ela foi acarinhada desde seus
primeiros passos na música. Através dessas oportunidades, ela conseguiu
alcançar um público moçambicano que nunca tinha tido contacto com a música
clássica. Mariana foi também convidada a ensinar bases de técnica vocal e
consciência corporal aos estudantes do Xiquitsi.
Mariana Carrilho foi cantora
activa em masterclasses de cantores e vocal coaches de renome como Cheryl
Studer, Dolora Zajick, David Gowland, Sara Braga Simões, Eric Halfvarson, entre
outros. Foi dirigida por maestros como Jose Olivetti, Josep Gil, Manel
Valdivieso, Dinis Sousa e Sergi Vicente. Colaborou com aclamados directores de
cena, tais como Paco Azorín, Paco Mir, Andre Heller-Lopes e Paulo Lapa. Trabalha
actualmente com Carmen Bustamante.