Onze contos que passeiam entre a fantasia e a realidade através do talento de Mia Couto nos revelam sujeitos simples, cheios de personalidade e com conflitos próprios. Com forte influência da cultura nativa, somos imersos em histórias com desfechos inesperados e enredos inesperados. E em cada uma delas há um ponto a ser absorvido.
Acho difícil fazer resenha de coletânea de contos pelo simples motivo de que ou falo individualmente de cada conto, caindo em um lenga-lenga sem fim, ou exponho a coleção como um todo e corro o risco de generalizar as impressões. Vou tentar ficar entre as duas estratégias.
Cada conto de Vozes Anoitecidas (e pela primeira vez vejo um título que não é também o título de um dos contos, achei interessantíssimo) carrega sua própria dose de fantasia. Alguns têm mais, outros menos. O último aviso do corvo falador, por exemplo, é fantasioso desde quando o personagem tosse e cospe um corvo até quando o pássaro vira uma espécie de médium que dá aos vivos a oportunidade de se comunicar com os mortos queridos.
Uma história que me tocou bastante foi O dia em que explodiu Mabata-bata, sobre um menino que trabalhava como vaqueiro para o seu tio, mas tudo o que ele mais queria era poder ir para escola.
Isso mostra que todos os personagens de Mia Couto neste livro passam por dificuldades e tentam de alguma forma superá-la ou sobreviver a ela. Em A menina de futuro torcido um pai tenta a todo custo treinar a sua filha para que ela seja uma contorcionista e ganhe dinheiro com apresentações por cidades afora, sem perceber que a está matando com os exercícios excessivos.
O livro é bem curtinho e dá pra ler em uma sentada. Os contos, proporcionalmente curtos, em nenhum momento deixam de ser bons por conta de suas extensões. E, para mim, escrever assim é um talento incrível. Em poucas frases o autor envolve os leitores em cada história, em cada lugar onde as cenas se passam, em cada personagem — às vezes nos dando até a oportunidade de conhecer um pouco de seus passados.
AUTOR: Mia Couto


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