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terça-feira, 1 de setembro de 2020

Amilton Macicame, Chaná de Sá e Sebastião Matsinhe inauguram exposicao colectiva

Amilton Macicame, Chaná de Sá e Sebastião Matsinhe inauguram exposicao colectiva 


Os artistas plásticos Amilton Macicame, Chaná de Sá e Sebastião Matsinhe inauguram, esta quarta-feira, a colectiva “Ventre Triangular”, na Fundação Fernando Leite Couto (FFLC), cidade de Maputo.

 

De acordo com a nota de imprensa sobre a mostra de artes plásticas, os motivos das telas que a compõem representam um mundo de histórias circundantes, reunindo formas, objectos e sujeitos insólitos. Assim, através de narrativas pictóricas, os três artistas conjugando acertadamente os elementos das suas obras, levam o público a visitar lugares que reflectem a sua aproximação ao meio ambiente, à busca de contacto com a terra onde nasceram e à expressão do seu povo.

A curadora da mostra, Yolanda Couto, explicou, segundo a nota de imprensa, que o título “Ventre Triangular” deve-se ao facto de se reunirem na colectiva três artistas que conviveram e trabalharam criativamente as suas obras, analisando os problemas da pintura. A colectiva reflecte três percursos cujo denominador comum dos artistas é terem nascido em Inhambane e apostarem na pintura como veículo da expressão do Ser.

“Inicialmente autodidata, Amilton Macicame, de espírito irreverente, manifestando liberdade, inventividade e ousadia, foi acarinhado e apoiado pelos dois artistas. Desenvolveu a técnica mista sob a tela, como atestam as obras ‘Operárias’, ‘Melodia Africana’ ou ‘Luar’. Macicame cria um simultâneo de imagens sobrepostas, onde se destaca a figura que emana no centro e que invade, de modo expansivo, a superfície pintada, desvendando situações imprevistas do quotidiano. Matsinhe, através das técnicas de acrílico sob a madeira e sob a tela, liberta-se do estabelecido através das formas abstractas que ganham relevo com cores vibrantes. A curadora observa que as imagens nas telas partem da realidade visível no quotidiano da existência, da vida. Chaná de Sá, recorrendo ao acrílico sob a tela e a técnica mista sob o papel, suaviza as suas imagens, retirando-lhes agressividade através do traço curvilíneo que utiliza com mestria, dando às suas obras um sentimento amoroso, que é, por vezes, sulcado de gestos provocatórios”, lê-se na nota de imprensa da FFLC.

 “Ventre Triangular” estará aberta até dia 30, na galeria da Fundação Fernando Leite Couto.

Hélder Tsemba: a Hibernação, a poesia e a vida

 Hélder Tsemba: a Hibernação, a poesia e a vida

Hélder Tsemba estreou-se em livro, dia 25, com o título Hibernação. A proposta literária foi lançada no formato electrónico pela editora Kulera.

 

“Ia eu despedaçado pelo vento,/ Na noite de céu baço e estrelado./ Perseguindo o meu vil e triste fado/ Que desmaiava de tanto tormento.// O campo se movia sonolento/ Dum lado ao outro. E dormia o gado,/ Sem dar em conta o meu frio brado/ Que me rasgava de mui desalento.”. Assim inicia o primeiro poema do livro Hibernação, da autoria de Hélder Tsemba. Escrito entre 2011 e 2013, a obra literária tem 76 páginas, e, em ternos temáticos, explora, principalmente, a crise existencial, a angústia, a nostalgia, a solidão e a morte.  

Através de Hibernação, Hélder Tsemba quis propor um momento de introspecção, no sentido de que as pessoas devem se permitir reflectir sobre a sua própria existência e sobre a relação interpessoal. O fim disso é contribuir para que o leitor “aprenda” a conviver melhor consigo próprio, num mundo cheio de tantas adversidades. Assim, o livro funciona como uma espécie de convite para um renascimento espiritual.  

O livro de estreia de Tsemba pretende, igualmente, partilhar experiências com o leitor, de modo a que o permita identificar e superar os momentos conducentes ao suicídio. Afinal, enquanto escreveu, o autor foi libertando dor e medo da solidão. Por essa razão, a escrita dos poemas exigiu de si uma rotina rigorosa, em que o poeta teve de se privar do seu mundo exterior. “Nos dias em que escrevi o livro, senti-me como se me tivesse transformado num monge, devido ao isolamento. Nesse período, a minha rotina resumiu-se entre ler e escrever, com alguns passeios nocturnos. Meditei muito”.

Em termos formais, Tsemba interessou-se em apresentar sonetos e redondilhas menores, o que exigiu conhecer e dominar as regras métricas para a construção de poesias com aquelas características. Logo, pode adivinhar-se, nem sempre foi fácil acertar na métrica. Quer isto dizer que, para o autor, durante a escrita do livro, mais do que as palavras, a métrica apresentou-se indispensável. Como consequência, a escrita de um poema levou um tempo enorme, porque tinha de respeitar a sequência dos versos e as rimas. “Foi árduo e acho que isto reflecte aquela expressão de que, na literatura, o mais importante não é brincar com a palavra, mas trabalhar arduamente a palavra”. 

Do ponto de vista humano, esta foi uma experiência para o nosso poeta, pois aprendeu a rir das suas fraquezas, de modo que as mesmas não o podem deixar desolado. Lá está… ainda aprendeu que só se pode abraçar a liberdade quando se supera o medo da solidão.

Sem interesses categóricos, Hélder Tsemba entende que a humanidade deve hibernar, como os animais fazem, “para que possamos sobreviver. Os animais não se suicidam porque sabem hibernar”.  

Hibernação é o primeiro de dois livros que Hélder Tsemba gostaria de escrever. Sendo este de contemplação, o último deverá ser de acção ou de, usando aquela palavra já em si histórica, revolução. “A hibernação é um momento para as pessoas olharem para sua pequenez e grandeza. A hibernação só faz sentido quando há uma proposta de acção. Por isso irei escrever um livro poético de acção para orientar as pessoas a dirigirem os seus próprios destinos”.

Lançado dia 25, sob a chancela da Kulera, Hibernação está disponível em formato electrónico para download gratuito a partir da página daquela editora.

Hélder Tsemba nasceu no dia 18 de Junho de 1991, em Maputo. Descobriu sonetos e redondilhas menores, lendo autores como Luís de Camões, Rui de Noronha, Florbela Espanca e Bocage. Enquanto os lia, sentiu-se desafiado a resgatar o estilo poético que caracteriza o seu livro.  Tsemba é licenciado em Filosofia, pela Universidade Eduardo Mondlane, e é jornalista.

 

A leitura de Osvaldo das Neves

O prefácio do primeiro livro de Hélder Tsemba é assinado por Osvaldo das Neves. No seu texto, o professor universitário destaca: “O poeta experimenta um dramatismo próprio de quem se dispõe a meditar na vida, daí o reincidente apelo para o amor frustrado, a mãe ausente, a saudade duma paixão adormecida, a noite friorenta, a futilidade do tempo, a guerra interior, a solidão, a insónia, o vazio existencial. Um vazio que procura preencher pela própria escrita, feita sinédoque da arte, e pela sujeição voluntária à lei divina, apesar dessas sorumbáticas perdidas em bordéis. Eis o protótipo da época em que vivemos, como se o século XVII estivesse à nossa frente. O conflito entre a carne e o espírito que o caracterizou parece também marca da nossa subjectividade: descobertas científicas ao rubro, doenças incuráveis em todo o mundo; sofisticados dispositivos de segurança, criminalidade como distintivo internacional; meios avançados de comunicação, ausência de diálogo como recurso na resolução de conflitos; políticas de emancipação da mulher e da criança, demolição da família enquanto instituição primária de socialização; incremento da indústria alimentar, miséria aos milhares; fluxo de teoremas sobre o amor, mercantilização das relações afectivas. Para tudo isto, há que hibernar, há que revisitar o nosso propósito de vida (…)”.

 

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Um conjunto de quase 200 escritores de língua portuguesa exigiu hoje que sejam assumidos compromissos políticos para impedir uma “escalada” do populismo, da violência e da xenofobia, e apelou aos agentes democráticos para que contrariem estas ameaças ressurgentes.

 Escritores apelam a compromissos políticos contra “escalada” do populismo e xenofobia



Numa carta aberta enviada à Lusa, assinada por 187 escritores lusófonos, que vão do brasileiro Chico Buarque às portuguesas Hélia Correia ou Lídia Jorge passando pelo moçambicano Mia Couto, os signatários mostram-se conscientes de que pode haver um “custo” em “dar palco ao que, em circunstâncias normais, não mereceria uma nota de rodapé”.

No entanto, os autores preferem “correr esse risco face às circunstâncias vividas em Portugal, que [consideram] graves e inquietantes, nos domínios do racismo, do populismo, da xenofobia, da homofobia, das emoções induzidas, da confusão destas com ideias e, em geral, de tudo aquilo que de mais repugnante pode emergir de uma sociedade em crise e em estado de medo”.

“Temos de reagir antes que seja tarde. E usar as palavras contra o insidioso ataque à democracia, ao multiculturalismo, à justiça social, à tolerância, à inclusão, à igualdade entre géneros, à liberdade de expressão e ao debate aberto”, escrevem os autores, realçando que “quem gosta de Portugal jamais diz ‘Vão!’, antes diz ‘Venham!’”.

Os signatários defendem que não se pode olhar para o lado sob pena de se emudecer e, por isso, comprometem-se a “jamais participar em eventos, conferências e/ou festivais conotados – seja de que maneira for – com ideias que colidam com os princípios da tolerância e da dignidade humana”.

"É preciso tomar consciência de que as ameaças que ora rastejam propiciam uma quebra irreparável dos valores humanistas, da solidariedade e do mútuo apoio – valores laborais e de igualdade de direitos constitucionais à saúde, à educação, ao emprego, à justiça, à cultura", escrevem.

O documento apela ainda a “todos os cidadãos portugueses, à sociedade civil, aos professores das escolas e das universidades, a que se distanciem de projetos e movimentos antidemocráticos e ajudem na consciencialização das novas gerações para a urgência dos valores humanistas e para os riscos das extremas-direitas”.

O apelo para uma consciencialização dos riscos vividos face ao ressurgimento destas ameaças e para que assumam também o seu papel nesta luta é deixado também aos órgãos de justiça, à comunicação social, aos partidos políticos, e ainda ao Presidente da República, ao parlamento e ao Governo, para “que exerçam um escrutínio rigoroso da constitucionalidade e assegurem que o fascismo não passará”.

A carta aberta alerta que cultura e literatura “não florescem nestes tempos sufocantes, em que a terrível crise humanitária dos refugiados, nos deploráveis campos às portas da Europa, e a ameaça ecológica e ambiental, à escala planetária, são banalizadas nos noticiários”, salientando que, aos problemas já existentes, se juntarão os que decorrem da crise causada pela pandemia de covid-19: “o alastramento do desemprego e da pobreza, pasto fértil para demagogias, teses anti-imigração, racismos e extremas-direitas”.

“Na certeza de que, como sempre nos mostrou a História, quem adormece em democracia acorda em ditadura”, terminam os autores.

A carta aberta é subscrita por perto de duas centenas de escritores de língua portuguesa, incluindo nomes como Alice Vieira, Almeida Faria, Carlos Tê, Laborinho Lúcio, Ana Margarida de Carvalho, Eric Nepomuceno, Gonçalo Cadilhe, Francisco José Viegas, Isabel Minhós Martins, Itamar Vieira Júnior, Jacinto Lucas Pires, Joel Neto, José Eduardo Agualusa, José Fanha, José Luís Peixoto, Julián Fuks, Luísa Costa Gomes, Luísa Ducla Soares, Manuel Jorge Marmelo, Mário Cláudio, Mário de Carvalho, Nélida Piñon, Ondjaki, Richard Zimler, Rodrigo Guedes de Carvalho, Sandro William Junqueira, Tiago Rodrigues e Teolinda Gersão.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Poema sobre o coronavírus foi a última postagem que Moraes Moreira publicou

 


A última postagem que Moares Moreira publicou em suas redes sociais foi um longo poema em forma de Cordel sobre o coronavírus, e também a atual situação sócio-política brasileira. O cantor tinha 72 anos e estava em quarentena no Rio de Janeiro em seu apartamento na Gávea.

Segundo a assessoria do artista, ele morreu vítima de um infarto agudo no miocárdio. A família optou por não divulgar informações sobre velório e enterro para evitar aglomerações.

A publicação foi feita em 18 de março. Segundo o compositor o texto havia sido criado na madrugada do dia anterior.

Leia:

Quarentena (Moraes Moreira)

Eu temo o coronavirus
E zelo por minha vida
Mas tenho medo de tiros
Também de bala perdida,
A nossa fé é vacina
O professor que me ensina
Será minha própria lida

Assombra-me a pandemia
Que agora domina o mundo
Mas tenho uma garantia
Não sou nenhum vagabundo,
Porque todo cidadão
Merece mas atenção
O sentimento é profundo

Eu não queria essa praga
Que não é mais do Egito
Não quero que ela traga
O mal que sempre eu evito,
Os males não são eternos
Pois os recursos modernos
Estão aí, acredito

De quem será esse lucro
Ou mesmo a teoria?
Detesto falar de estrupo
Eu gosto é de poesia,
Mas creio na consciência
E digo não a todo dia

Eu tenho medo do excesso
Que seja em qualquer sentido
Mas também do retrocesso
Que por aí escondido,
As vezes é o que notamos
Passar o que já passamos
Jamais será esquecido

Até aceito a polícia
Mas quando muda de letra
E se transforma em milícia
Odeio essa mutreta,
Pra combater o que alarma
Só tenho mesmo uma arma
Que é a minha caneta

Com tanta coisa inda cismo....
Estão na ordem do dia
Eu digo não ao machismo
Também a misoginia,
Tem outros que eu não aceito
É o tal do preconceito
E as sombras da hipocrisia

As coisas já forem postas
Mas prevalecem os relés
Queremos sim ter respostas
Sobre as nossas Marielles,
Em meio a um mundo efêmero
Não é só questão de gênero
Nem de homens ou mulheres

O que vale é o ser humano
E sua dignidade
Vivemos num mundo insano
Queremos mais liberdade,
Pra que tudo isso mude
Certeza, ninguém se ilude
Não tem tempo,nem.idade


Ver essa foto no Instagram

Oi pessoal estou aqui na Gávea entre minha casa e escritório que ficam próximos,cumprindo minha quarentena,tocando e escrevendo sem parar. Este Cordel nasceu na madrugada do dia 17, envio para apreciação de vocês .Boa sorte Quarentena (Moraes Moreira) Eu temo o coronavirus E zelo por minha vida Mas tenho medo de tiros Também de bala perdida, A nossa fé é vacina O professor que me ensina Será minha própria lida Assombra-me a pandemia Que agora domina o mundo Mas tenho uma garantia Não sou nenhum vagabundo, Porque todo cidadão Merece mas atenção O sentimento é profundo Eu não queria essa praga Que não é mais do Egito Não quero que ela traga O mal que sempre eu evito, Os males não são eternos Pois os recursos modernos Estão aí, acredito De quem será esse lucro Ou mesmo a teoria? Detesto falar de estrupo Eu gosto é de poesia, Mas creio na consciência E digo não a todo dia Eu tenho medo do excesso Que seja em qualquer sentido Mas também do retrocesso Que por aí escondido, As vezes é o que notamos Passar o que já passamos Jamais será esquecido Até aceito a polícia Mas quando muda de letra E se transforma em milícia Odeio essa mutreta, Pra combater o que alarma Só tenho mesmo uma arma Que é a minha caneta Com tanta coisa inda cismo.... Estão na ordem do dia Eu digo não ao machismo Também a misoginia, Tem outros que eu não aceito É o tal do preconceito E as sombras da hipocrisia As coisas já forem postas Mas prevalecem os relés Queremos sim ter respostas Sobre as nossas Marielles, Em meio a um mundo efêmero Não é só questão de gênero Nem de homens ou mulheres O que vale é o ser humano E sua dignidade Vivemos num mundo insano Queremos mais liberdade, Pra que tudo isso mude Certeza, ninguém se ilude Não tem tempo,nem.idade

Uma publicação compartilhada por Moraes Moreira (@moraesmoreiraoficial) e

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Galeria do Camões reabre com exposição de Mário Macilau

 


Após a suspensão temporária da Galeria devido às medidas de prevenção à pandemia do COVID-19, o Camões – Centro Cultural Português em Maputo reabre no dia 12 de agosto, às 18h00, com a inauguração da exposição “Água”, de Mário Macilau, renomado fotógrafo moçambicano, vencedor de vários prémios e com uma vasta carreira internacional. A cerimónia será realizada institucionalmente, com transmissão em direto pelas redes sociais.

Mário Macilau descobriu a paixão pela fotografia aos 15 anos, tendo já apresentado o seu trabalho em países como a Malásia, China, Bangladesh, Portugal, Espanha, Bélgica, Bulgária, Itália, Zimbabwe, África de Sul, Austrália, Alemanha, Suíça e Suécia.

O projeto desta exposição enfatiza a importância da água e o acesso à mesma. Num período como o que atravessamos, mais do que nunca a água é essencial ao saneamento e higiene comunitários. Mário Macilau apresenta uma série de fotografias dedicada a alterações climáticas e a questões relacionadas com a temática da água como bem fundamental de vida para a Humanidade. A série apresentada nesta exposição foi registada durante os últimos 3 anos, em Moçambique, maioritariamente na província do Niassa, distrito de Cuamba, no âmbito de um projecto desenvolvido com comunidades locais apoiadas pela WaterAid Moçambique, uma organização não governamental baseada no Reino Unido, que dedica a sua actuação a nível mundial na área da Água, Saneamento e Higiene.

A convite do Camões – Centro Cultural Português, o projecto da exposição “Água” conta com a especial participação do renomado historiador e escritor João Paulo Borges Coelho, que publicou anteriormente um livro com o mesmo título e apresenta de forma inédita nesta mostra uma reflexão poética sobre a série de fotografias cujo tema admite despertar um peculiar interesse.

“Água”, um projeto do Camões – Centro Cultural Português em Maputo, conta com o patrocínio da WaterAid Moçambique e com o apoio da Art Dispersion (Portugal) e estará patente em Maputo desde dia 13 de agosto até dia 2 de outubro, de segunda a sexta feira, entre as 11h00 e as 17h00, respeitando todas as medidas adequadas de higiene e segurança em vigor.

Fonte: Camões – Centro Cultural Português em Maputo

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Ensaios sobre literatura moçambicana no Brasil



O campo literário moçambicano: tradução do espaço e formas de insílio, do professor universitário brasileiro, Nazir A. Can, é uma colectânea de estudos sobre o tema do “insílio” na literatura moçambicana.

No livro lançado recentemente pela editora Kapulana, Nazir A. Can analisa a prática e a representação do insílio, espécie de exílio vivido na própria terra, responsável pela dialética do deslocamento e do confinamento que estrutura o campo literário. O autor oferece aos estudiosos da literatura de Moçambique dados sobre a singularidade da escrita moçambicana e sobre a sua pluralidade interna, segundo uma nota da Kapulana.

A cocletânea de ensaios conta com prefácio de Rita Chaves (USP), e, para Kapulana, “é mais uma valiosa contribuição para os estudos das literaturas africanas de língua portuguesa, particularmente da literatura de Moçambique”.


Sobre o autor
Professor de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa na Universidade Federal do Rio de Janeiro, é doutor em Teoria da Literatura e Literatura Comparada pela Universitat Autònoma de Barcelona, licenciado em Letras pela Universidade do Porto e em Humanidades pela Universitat Pompeu Fabra, de Barcelona. Realizou pesquisa de campo em Moçambique e nas Ilhas Maurícias. É autor e organizador de vários livros, volumes colectivos e dossiês temáticos. Colabora desde 2015 com a Editora Kapulana ao escrever prefácios sobre obras de renomados escritores moçambicanos como João Paulo Borges Coelho e Aldino Muianga.

 

quinta-feira, 30 de julho de 2020

VOZES ANOITECIDAS ( Livro ) - MIA COUTO




Onze contos que passeiam entre a fantasia e a realidade através do talento de Mia Couto nos revelam sujeitos simples, cheios de personalidade e com conflitos próprios. Com forte influência da cultura nativa, somos imersos em histórias com desfechos inesperados e enredos inesperados. E em cada uma delas há um ponto a ser absorvido.

Acho difícil fazer resenha de coletânea de contos pelo simples motivo de que ou falo individualmente de cada conto, caindo em um lenga-lenga sem fim, ou exponho a coleção como um todo e corro o risco de generalizar as impressões. Vou tentar ficar entre as duas estratégias.

Cada conto de Vozes Anoitecidas (e pela primeira vez vejo um título que não é também o título de um dos contos, achei interessantíssimo) carrega sua própria dose de fantasia. Alguns têm mais, outros menos. O último aviso do corvo falador, por exemplo, é fantasioso desde quando o personagem tosse e cospe um corvo até quando o pássaro vira uma espécie de médium que dá aos vivos a oportunidade de se comunicar com os mortos queridos.

Uma história que me tocou bastante foi O dia em que explodiu Mabata-bata, sobre um menino que trabalhava como vaqueiro para o seu tio, mas tudo o que ele mais queria era poder ir para escola.

Isso mostra que todos os personagens de Mia Couto neste livro passam por dificuldades e tentam de alguma forma superá-la ou sobreviver a ela. Em A menina de futuro torcido um pai tenta a todo custo treinar a sua filha para que ela seja uma contorcionista e ganhe dinheiro com apresentações por cidades afora, sem perceber que a está matando com os exercícios excessivos.

O livro é bem curtinho e dá pra ler em uma sentada. Os contos, proporcionalmente curtos, em nenhum momento deixam de ser bons por conta de suas extensões. E, para mim, escrever assim é um talento incrível. Em poucas frases o autor envolve os leitores em cada história, em cada lugar onde as cenas se passam, em cada personagem — às vezes nos dando até a oportunidade de conhecer um pouco de seus passados.



                                                   BAIXA O LIVRO AQUI 


  AUTOR: Mia Couto
 
    Mia Couto

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Livros da Trinta Zero Nove disponíveis para leitores do mundo inteiro

A editora moçambicana selou um acordo que vai permitir a distribuição de livros através das plataformas digitais do African Books Collective (ABC). Para Sandra Tamele, da Trinta Zero Nove, a parceria em causa permite fazer chegar os livros aos leitores de forma rápida e eficaz.

 

A 27 de Julho do ano passado, a poetisa (ou poeta) sul-africana, Danai Mupotsa, acompanhada pela sua editora, Vangile Gantsho, estiveram em Maputo para participar no Festival Poetas d’Alma. Naquela data, mal suponham que poderiam ser tão valiosas para a recém-fundada Trinta Zero Nove. Então, na capital do país, a autora de Feeling and ugly negociou com Sandra Tamele os direitos de tradução da sua obra de poesia para a língua portuguesa. Assim, a editora moçambicana ganhou um novo título: Feeling e feio. Mas não foi só isso.

Durante a conversa entre Danai Mupotsa, Vangile Gantsho e Sandra Tamele, as sul-africanas apresentaram, à distância, a Tradutora e Intérprete moçambicana a Justin Cox, que se encontrava na Nova Zelândia. Não tardou. O director do African Books Collective (ABC) manifestou o interesse em colaborar com a Trinta Zero Nove. Assim, ambas as instituições assinaram um contrato, que permite à editora nacional, desde segunda-feira, vender os seus títulos através do website do ABC, além de outras plataformas digitais, desde a Oceânia ao Brasil, passando pelo Reino Unido e Estados Unidos. Por isso, a satisfação tem mesmo de ser enorme: “Foi com imenso prazer que ouvimos de Justin Cox, o Director do colectivo, que somos a primeira editora dos PALOP a aderir ao colectivo e os nossos audiolivros são os primeiros na plataforma”.

O contrato com ABC torna possível à Trinta Zero Nove disponibilizar livros electrónicos e impressos aos leitores de forma rápida e eficaz. “Estamos a conseguir levar as nossas traduções para todo mundo que fala português, fugindo das fronteiras moçambicanas e dos PALOP. O nosso lema, ‘damos voz às estórias’, ganha força com a parceria com ABC”, afirmou Sandra Tamele, lembrando que a sua editora publica traduções de fora e de dentro do país. Por exemplo, em breve, um título de Hélder Faife, traduzido do português para o inglês, será disponibilizado aos leitores através do African Books Collective.

A Trinta Zero Nove existe há dois anos. De lá a esta parte, já traduziu para português cinco autores cujos livros não estavam disponíveis numa outra língua que não fosse inglês ou francês. “Pela primeira vez, Moçambique está a mostrar que uma pequena editora, como a nossa, pode trazer livros traduzidos de outras partes do mundo para os leitores nacionais a um preço reduzido, inferior a 400 meticais, o que é melhor do que importar de Portugal ou do Brasil”.

No que diz respeito à linha editorial, interessa à Trinta Zero Nove traduzir autores cujos livros abordam questões sobre as minorias, que levantam questões relevantes.  

O African Books Collective (ABC) é uma instituição sem fins lucrativos, fundado por editores africanos para distribuição de literaturas africanas pelo mundo. A instituição trabalha em POD (print-on-demand) e entrega imediatamente os livros do seu catálogo em formato impresso para qualquer país.


Concurso de tradução literária

Desde a semana passada, estão disponíveis inscrições para a sexta edição do Concurso de Tradução Literária, agora com o selo Menção Honrosa da Feira do Livro de Londres. Este ano, a novidade é que os contos a traduzir, para as línguas portuguesa e/ou bantu (cisenaxichangana e emakhuwa) faladas no país, são de autoras africanas dos vizinhos de Moçambique. As obras elegíveis para traduzir nesta sexta edição são: Involution, de Stacy Hardy (África do Sul); Le détonateur, de Mampianina Randria (Madagáscar); Maintenance check, de Alinafe Malonje (Malawi); My mother’s project, de Lydia Kasese (Tanzânia); Door of no return, de Natasha Omokhodion (Zâmbia) e The tale of two sisters, de Tariro Ndoro (Zimbabwe). “Vamos traduzir as nossas vizinhas para as nossas línguas”, gracejou Sandra Tamele.

No concurso podem inscrever-se qualquer pessoa que não tenha nenhuma tradução publicada, sem critérios em termos de idade ou escolaridade. A candidatura é gratuita e pode ser submetida até 22 do próximo mês, através do correio electrónico (concursoitd@smtraducoes-moz.com). Já o prazo para submissão das propostas de tradução é 31 de Agosto. Um mês depois, concretamente no dia da Tradução, 30 de Setembro, os vencedores serão anunciados. Nessa altura, deverá ser publicada a segunda colectânea com os textos traduzidos pelos vencedores da edição 2019, intitulada Redentor do mundo.

De igual modo, os vencedores da sexta edição do concurso de tradução serão publicados em livro e audiolivro pela Trinta Zero Nove  na 3ª colectânea do concurso a 30 de Setembro do próximo ano.


segunda-feira, 27 de julho de 2020

LITERATURA

Na literatura de hoje para os amantes de livros vou propor a lerem o livro de MIA COUTO escritor e poeta moçambicano pseudónimo de António Emílio Leite Couto.

O livro tem como o titulo ANTES DE NASCER O MUNDO, A presente obra é disponibilizada pela equipe Le Livros e seus diversos parceiros, com o objetivo de oferecer conteúdo para uso parcial em pesquisas e estudos acadêmicos, bem como o simples teste da qualidade da obra, com o fim exclusivo de compra futura. É expressamente proibida e totalmente repudíavel a venda, aluguel, ou quaisquer uso
comercial do presente conteúdo.

"Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando por
dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo nível."




BAIXE O LIVRO AQUI


"Não chegamos realmente a viver durante a maior parte da nossa vida. Desperdiçamo-nos numa espraiada letargia a que, para nosso próprio engano e consolo, chamamos existência. No resto, vamos vagalumeando, acesos apenas por breves intermitências." Mia Couto - Antes de Nascer o Mundo.


Mia Couto é um daqueles escritores que não se restringe a escrever em uma língua, mas elabora seu idioma literário próprio e inconfundível, absolutamente único, originalíssimo. É um daqueles escritores cuja prosa, extremamente poética, faz o leitor deliciar-se com cada uma das cenas concebidas por suas palavras, escrevendo e descrevendo as próprias raízes do mundo, a própria natureza humana. É um daqueles escritores que o leitor nunca vai conseguir ler apenas um de seus livros, e sempre vai querer mais.


Mia Couto, senhor absoluto do poder mágico e poético das palavras, consegue abordar neste cenário fantástico e simples questões dolorosas através dos olhos inocentes de um menino. Embora MC tenha atribuído a esse pequeno personagem uma dura e limitada realidade, consegue conferir a seu pequeno narrador o olhar imaculado que só têm aqueles que ainda estão desvendando porque as coisas acontecem e porque as pessoas são como são.

ANTES DE NASCER O MUNDO tem em si um retirar-se do mundo, um cessar do tempo e toda a mística de um universo particular criado pelo autor, planando entre a prosa e o verso, com uma sensibilidade tão grande que terminamos a leitura como Mwanito: tentando evocar memórias que nunca tivemos.

Ler Mia Couto é isso: presenciar a capacidade de escrever com suavidade sobre coisas difíceis e a astúcia magnífica e inigualável para saber falar de um mundo inexplorado a pessoas de todo lugar.

Quem ainda não leu alguma obra desse ícone da literatura contemporânea, não sabe o que está perdendo!

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